Recomeços
e tudo que envolve o início de ano
Eu adoro o marco temporal do ano novo. Adoro como uma data previamente combinada pode ser a virada de chave para fazer o que se quer, retomar algo, escolher ser diferente de alguma maneira, é uma chance de mudança acordada socialmente. Costuma ser o momento de nos reavaliarmos e buscarmos sermos melhores, por esse motivo, esse acaba sendo o momento onde olhamos para nós mesmos e projetamos sonhos, desejos, esperanças.
Apesar do meu entusiasmo com a data, esse ritual é recente para mim. Eu tenho dificuldade em me imaginar no futuro, coisas como “onde você se vê daqui a 1, 5, 10 anos?” são uma verdadeira pane no meu sistema. Eu tive 2 ou 3 sonhos significativos na vida, o restante eu segui o fluxo da sobrevivência, hoje tenho medo de querer coisas que nunca virão. Então, as resoluções de ano novo estão se construindo no meu universo pessoal como uma ferramenta de desejos, me obrigando a sair do automático da vida e avaliar o que de fato quero, de modo que eu ouse traçar as minhas vontades ainda que o medo não se retire totalmente do cenário.
Decidi escrever minhas metas em papel, tal qual os maias, para que assim eu me comprometesse fora da minha cabeça. Ao anotar, percebi a predominância de continuar realizando atividades físicas, voltar a ter uma rotina de escrita e ler de maneira mais consistente. Em comparativo às metas do ano passado, consigo ver que, essencialmente, continuo buscando as mesmas coisas, a diferença é que estou conseguindo elaborar melhor agora, não estou deixando tão subjetivo ou abstrato, estou mais alinhada com formas palpáveis de alcançar esses desejos.
Em meio ao balanço que fiz para decidir as metas de 2026, me dei conta que fazem dois anos inteiros que eu vou a academia. Pode ser uma coisa ínfima, mas para mim, que não gosto de musculação e que levei 6 anos para ser convencida a iniciar, é uma baita vitória. Continuo não gostando de treinar, mas sou uma adulta que faz o que tem de fazer. Além disso, é inegável o efeito que a atividade física tem na vida funcional, dormir melhor, não fadigar para subir uma escada, melhorar o condicionamento como um todo e, uma coisa que pra mim é ouro, dançar sem ficar de cama no dia seguinte. Eu adoro dar tudo de mim na dança, performar como se fosse meu próprio show, mas as dores no dia seguinte sempre foram absurdas, joelho em petição de miséria e eu me arrastando por dias. Contudo, desde que comecei a fazer musculação, tive uma melhora bem significativa nesse pós dança. Aliado a isso, notei que eu não me aquecia como deveria e que ultrapassava o limite do meu corpo. Hoje entendo que treinar antes da dança super me ajuda a não chegar fria e, nos dias que estou mais limitada, não forçar demais e respeitar o limite é imprescindível. Não me considero fitness, porque a carga que essa palavra traz não cabe pra mim, mas tenho sido uma pessoa ativa. Nessa vibe, participei no fim do ano passado de um desafio da academia que frequento e, devo dizer, me surpreendi com meu desempenho e com o efeito que treinar em grupo desencadeou em mim. Me senti integrada, incentivada e capaz de fazer atividades que não pensei que poderia. A experiência foi tão positiva pra mim que me meti noutro esse ano, 21 dias com metas de musculação, cardio, ingestão de água e alimentação. Foi uma meta ousada, mas como o desafio tem o tempo bem definido, achei mais fácil de conseguir cumprir, além disso, eu costumo ter mais comprometimento quando o acordo não é só comigo. Devo dizer que esse segundo desafio me fez visualizar melhoras práticas na minha vida e com isso não me refiro só a redução do meu culote, mas sim vislumbrar maneiras de encaixar alguns hábitos de modo mais direto. Eu adoro frutas, mas tenho dificuldades em encaixar a ingestão delas na minha rotina, com o desafio me vi obrigada a pensar alternativas em nome da competitividade. Então se eu consegui nesse período, posso conseguir também em outros momentos. Ainda nesse embalo, eu resgatei o hábito de tomar vitamina. Quando eu era criança, meu pai costumava fazer vitamina de banana todos os dias, mas foi um hábito que perdi com o passar do tempo, neste momento de atividades físicas latentes, achei que seria uma boa voltar as origens. Por isso, a seguir, tem uma receita simples de uma vitamina de banana que é o meu pré treino.
Vitamina de Banana
Ingredientes
1 Banana
¼ de Maçã
⅔ de xícara de Leite
1 punhado de Aveia em Flocos
Vontade de ser ativa
Necessidade de não apagar
Modo de preparo
Comece pegando a vontade de ser ativa e some a isso a necessidade de não apagar na academia. Feito isto, descasque a maçã e a banana, acrescente-as no liquidificador com os demais ingredientes, bata tudo até ficar homogêneo, depois é só desfrutar.
Eu sou a Raici, autora de mim, persistente e teimosa nas horas vagas, cantante, rebolativa e tagarela. Cozinho palavras e afetos. E busco o extraordinário ao meu modo. Sinta-se à vontade, e, caso queira, passe esse texto adiante. Se inscreva pra receber meus escritos sempre que eles decidirem existir. Bon Appetit!




amei o texto e a receitinha da vitamina (aqui no sul a gente chama de "batida"), deu vontade de fazer — mas num tenho liquidificador (emoji carinha de palhaça). que orgulho da tua trajetória na academia! eu estou há uns 6 meses nessa vida, no início estava super empolgada, mas hoje confesso que estou apenas aceitando o fato de que é o que deve ser feito para ter uma vida melhor. subir e descer de um ônibus com dignidade, carregar as sacolas pesadas do mercado. haja músculo! espero que consigas alcançar as metas do ano, principalmente porque a escrita está ali entre elas.
=)